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História
A história do território que hoje constitui o concelho de Castro Daire perde-se um pouco no tempo, desconhecendo-se ao certo desde quando é que esta vasta área foi ocupada pelo Homem. No entanto, sabe-se que, por alturas do período Neolítico, já o território seria intensamente povoado. Prova disso são as dezenas de monumentos funerários, datáveis desse período, existentes no concelho, com especial concentração na região montanhosa que se estende entre a aldeia do Rossão e Almofala.
Mais tardios, já da Idade dos Metais, são os povoados fortificados existentes no concelho, vulgarmente designados por Castros. Localizam-se em locais de acesso dificultado pelo relevo, perto de cursos de água e protegidos por uma ou mais cinturas de muralhas.
Serão dessa altura as primeiras raízes da vila de Castro Daire, a qual, tal como o nome indica, terá nascido como um castro, localizado no esporão sobranceiro ao Rio Paiva, hoje chamado Bairro do Castelo.
Com o domínio romano, e a pacificação que o mesmo conseguiu instalar na Península Ibérica, as muralhas de Castro Daire terão perdido boa parte da sua função, abrindo as suas portas à via romana, que ainda hoje se vê a subir a encosta até à vila e que atravessa todo o concelho, ligando Viseu a Chaves.
Mais tarde, com a chegada da Idade Média e o início de um longo período de grande instabilidade e conflitos bélicos constantes, é provável que Castro Daire tenha, mais uma vez, recorrido às velhas muralhas castrejas como forma de se proteger de ataques. Dizem as fontes que D. Dinis terá doado a pedra das muralhas para a construção de uma nova Igreja dedicada a S. Pedro, visto as mesmas já não serem necessárias para a protecção da vila. Desse templo original nada nos restou, assim como de tantos outros que deveriam existir um pouco por toda esta região, sendo que o único exemplar preservado ao longo dos séculos foi a Igreja da Ermida, monumento da segunda metade do séc. XII, parte integrante do mosteiro cujas ruínas ainda hoje se observam ao seu lado. A doação de D. Dinis pode mesmo ser considerada um marco na evolução do burgo, abrindo portas para o grande período de expansão e crescimento da história castrense, durante a Idade Moderna, mais concretamente ao longo dos sécs. XVII e XVIII. Datam desta altura monumentos marcantes do concelho, como a Casa da Cerca, a Capela das Carrancas, o Solar dos Aguilares ou o Solar dos Mendonças, todos eles localizados na vila, assim como as casas nobres de Grijó do Gafanhão, Farejinhas e da vila de Mões.
Todos estes monumentos, a par das dezenas de igrejas e capelas construídas durante o mesmo período, das quais a Igreja Matriz de Castro Daire é o exemplo maior, nos remetem para esta época áurea da história concelhia.
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